O dízimo é um tema muito presente nas igrejas cristãs, mas sua origem é bem mais antiga do que muitos imaginam. Ele não surgiu como uma obrigação religiosa imposta pela Lei de Moisés, mas como um gesto voluntário de fé, gratidão e reconhecimento da soberania de Deus.
A primeira menção clara do dízimo: Jacó em Betel
“E de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo” (Gênesis 28:22).
Nesse contexto, Jacó não está obedecendo a uma lei, pois a Lei de Moisés ainda não existia. O texto mostra que o dízimo nasce como um voto voluntário, feito em resposta à proteção, provisão e presença de Deus. O verbo hebraico usado é עָשַׂר (ʿasar), que significa literalmente “dar a décima parte”.
O dízimo antes da Lei de Moisés
“E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo” (Gênesis 14:20).
Esse ato também foi espontâneo. Abraão dá o dízimo como sinal de gratidão e reconhecimento de que a vitória veio de Deus. Não havia mandamento, apenas fé e reverência. Isso mostra que o dízimo tem uma origem anterior à Lei, ligada ao reconhecimento de que tudo pertence a Deus.
O dízimo na Lei Mosaica
“Também todos os dízimos da terra, tanto dos cereais do campo como do fruto das árvores, são do Senhor; santos são ao Senhor”.
O dízimo servia para o sustento dos levitas, que não tinham herança de terras (Números 18:21), para a manutenção do culto e também para ajudar os pobres (Deuteronômio 14:28-29). Em uma sociedade agrícola, ele tinha um papel religioso e social muito claro.
O Novo Testamento e o princípio da generosidade
No Novo Testamento, Jesus menciona o dízimo em Mateus 23:23, ao criticar os fariseus:
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e desprezais o mais importante da lei: o juízo, a misericórdia e a fé”.
Jesus não condena o dízimo em si, mas a hipocrisia de praticá-lo sem amor, justiça e misericórdia. Já os apóstolos reforçam que a contribuição deve ser feita com liberdade e alegria:
“Cada um contribua segundo propôs no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Coríntios 9:7).
Assim, o foco do Novo Testamento não é a imposição de uma porcentagem, mas o princípio da generosidade e da boa administração dos bens, também chamado de mordomia cristã.
Por que o dízimo é mantido até hoje nas igrejas?
Além disso, o dízimo é visto como uma expressão prática de fé e gratidão, conforme ensina a Bíblia:
“Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda” (Provérbios 3:9).
“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa” (Malaquias 3:10).
Embora existam abusos e distorções ao longo da história, o sentido bíblico do dízimo não está no medo ou na obrigação cega, mas no amor, na confiança em Deus e no compromisso com a obra que se realiza por meio da igreja.
Conclusão
O dízimo nasce na Bíblia como um ato voluntário, anterior à Lei, ligado à fé e à gratidão. Ao longo do tempo, foi organizado como sistema de sustento religioso e social. No cristianismo atual, ele permanece como um princípio espiritual, não como imposição, mas como um convite à generosidade, à responsabilidade e à confiança em Deus.
Mais importante do que a porcentagem é a atitude do coração de quem oferece.
E você, o que acha do dízimo cobrado nas igrejas modernas? Comente!




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